The real queen is reborn

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The real queen is reborn

Mensagem por LeBlanc em Ter Nov 14, 2017 11:33 pm

A noite não era bela, muitos diziam que a morte era rápida e a purificação vinha pelo fogo, minha visão estava distorcida pelas lagrimas que eventualmente correram e deixaram uma marca úmida em meu rosto, dois riscos borrando a maquiagem que estava em meu rosto da peça recém atuada. Meus pés úmidos e gélidos, eu mal conseguia sentir as farpas entrarem na sola do pé e entre os dedos, e os grandes pedaços de madeira que eram lançados com grande força para que a fogueira ficasse maior. Minhas mãos estavam atrás de meu corpo e quase nua, conseguia sentir aquele tronco a qual estava amarrada, minhas roupas rasgadas e sujas. Eu não conseguia identificar voz alguma, apenas um amontoado de vozes juntas em uma sinfonia demoníaca, a sinfonia da minha morte. Algumas pessoas tentavam me ajudar, alguns fãs realmente não acreditavam que aquela peça que acabei de atuar foi a ultima, a igreja não era piedosa e mesmo que recém chegados, seus dogmas eram firmes e rígidos com todos, principalmente com os influentes. Meus olhos, machucados, conseguiam ver parcialmente o céu escuro, nenhuma estrela estava à brilhar, as nuvens pareciam esconder o lar de Deus, talvez, de vergonha. De toda forma, a única estrela que estava prestes a brilhar pela última vez era eu. Não calei-me perante as atrocidades que passei, não calei minha voz e muito menos abaixei minha cabeça. 

Hipócritas, vocês lutam e matam por Deus, mas Deus não luta e não mata por vocês. O poder é uma arma tão poderosa, Deus permite, com todo esse poder, que pessoas como nós, os que vieram da sujeira, passemos por tudo isso. O meu poder, o poder de encantar e ajudar as pessoas não serviu apenas para aqueles que se ajoelharam perante mim e ou me deram dinheiro. — Tentaram calar minha boca, mas eu balançava minha cabeça para todos os lados possíveis afim de falar tudo o que eu queria. — Se o poder de Deus é a humilhação e a rejeição, ele não merece ser Deus! 

O bispo não aceitava bem as palavras,  bem como qualquer outro religioso cego e como um coral eles gritavam para me queimar. E assim foi feito, eu já não sentia mais o frio e a dor nos pés por conta das farpas e das madeiras amassando-os, sentia minha pele borbulhar, o cheiro de queimado foi a pior coisa que eu senti, não conseguia segurar os gritos de dor, as lagrimas que corriam de forma involuntária, eles, monstros, permaneciam ali, parados, me olhando e rezando como se esperassem uma prova de Deus de que aquilo foi o certo a se fazer. Nenhuma prova divina foi exibida enquanto minha consciência me permitiu ver.


Não tardou para minha consciência retornar, meus olhos procuravam as pessoas e até mesmo alguém próximo a mim, mas não havia ninguém além de uma escuridão quente, parecia estar próximo a um monstro, o chão úmido e gelatinoso, arfadas quentes como uma espécie de bafo batia em meu corpo e balançava meu cabelo, eu sentia a mesma sensação de quando estava sendo queimada por aqueles homens, porém, não conseguia ver absolutamente nada, por alguns segundos, pensei estar cega, não estava conseguindo ver nem mesmo a mão que trazia o mais próximo que conseguia de meus olhos, conseguia sentir quando tocava-os, porém não via absolutamente nada. A escuridão, o opaco, finalmente, me encontraram. Estava em meu pior pesadelo, esquecida e invisível de tudo e todos. O tempo não existia pelo que parece, não notava e por estar ali, ao menos se importava, não sentia cansaço ou necessidades físicas, eu não sentia absolutamente nada, meu toque já não era o mesmo, mesmo que tocasse meu corpo, meus dedos não pareciam ser comuns.

Eu já não era igual, minha respiração já não era necessária, eu sei, eu soube disso pois fiquei 604800 segundos, não queria mais contar e então soltei a respiração, não precisava mas queria manter o resto de humanidade que parecia ter me restado. — Por favor, me ajuda. — Tentava falar, mas a voz só saia em sua mente, descobri isso após pedir ajuda diversas vezes, ar não saia de minha boca.

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Re: The real queen is reborn

Mensagem por Adara em Qua Nov 15, 2017 9:12 pm




Adara


   O som nulo, o agudo da inexistência, corre pelo corpo daqueles que o ouvem. Seu som é tão baixo, que é possível escutar o próprio sangue correndo em suas veias, ele é tão ensurdecedor que é possível sentir o próprio coração bater como um pulsar que não para.
   『Ping
    『Ping
     『Ping
     『Ping
      『Ping

   O Bafo quente que escapa da sua boca invade as narinas daquela que amarrada está a própria escuridão, enquanto um brilho lazúli tenta adentrar o breu completo e extrair a alma da criança. Aquilo que pode ser considerado a mão da criatura pousa sobre a tão forte e cegante luz, como se nada fosse e a puxa para trás. Seu timbre ecoa em palavras desentendíveis à qualquer que fosse a sociedade que criaria humanos. Seu conteúdo e aquela alma já lhe eram seus, mas a luz lhe convencia e ele simplesmente deixou-se para a proximidade e então a expulsou.

   - Pobre és tu, minha filha, pois deixaste-ti ser morta e maculada pelos teus; eis que, eu, o grande Imperador da inexistência dar-te-ei um mísero trunfo para que recobre tua vida. Em acordo com semelhante de igual poder como és o meu, tu serás trazida outra vez de volta a mundo. Tua única e sucinta missão, és, destruir aquele que se intitula a vida. Para este feito receberás minha escama, acordai-te agora.

   Uma forte rajada de ar foi impulsionada e congelou a todo o calor que aquela garota sentia agora, desfazendo-se em pura destruição da voz que agora desaparecera.

    Assim que ela fosse lentamente abrindo os olhos, no meio da neve do inverno que caía lentamente um 「homem」de cabelos brancos e roupas leves aparecia na sua frente, ele encarava o distante horizonte conforme rajadas de vento lentamente iam jogando as madeixas para o final da sua cabeça como se penteassem sua estrutura cuticular albina.

    Com secura no olhar, ele apenas moveu o seu globo ocular em direção a garota. - Me chame de Adara, criança, este corpo que aqui vês é apenas um dos meus avatares... - A voz soava como se existissem duas criaturas falando ao mesmo tempo, as mesmas palavras. - ...este corpo serás um dos teus auxiliares, não decepcione a mim outra vez. Enquanto está guerra estiver acontecendo, serei seu peão e cumprirei as suas ordens... por tanto não falhe! - Com esta ultima palavra um redemoinho de ar envolveu o corpo e quando desapareceu, a criatura que sobrou sequer conhecia os modos operandis de antes. Era somente uma casca vazia.
Metade do deus que era antes.





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Re: The real queen is reborn

Mensagem por LeBlanc em Sex Nov 17, 2017 3:30 am

Em meio ao escuro, a solidão dominante, uma luz puxou-me para si, a voz apática não lhe proporcionava alegria por ter sido salva, afinal, ele mesmo disse que escolhi a morte, algo que se pudesse realmente escolher, jamais deixaria com que fanáticos tocassem minha pele. Porém Antes mesmo de conseguir responder, não iria ficar calada, isso era certo. Sentiu a rajada de ar que fez com que todo o calor se quebrasse, tornando frio, gelo. O frio ergueu seu corpo de tal maneira, como se fizessem-na emergir em meio ao plano físico, um plano diferente do que estava. As mãos quase congeladas pela neve que estava em contato direto com sua pele.

Adara? Você quem me tirou da escuridão? — Ergueu o corpo com certa dificuldade, olhando para os lados, vendo que estava em meio à uma floresta de pinheiros. — Eu não falei contigo, não quis e nem pude revelar sua identidade, não me julgue.

Levantou, segurando um livro de cama negra na mão direita, usava apenas um vestido branco fino, o com qual foi queimada. — E quando precisei você não estava lá. Não falhe novamente, Adara!

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