Age of Agression

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Age of Agression

Mensagem por Adam Aesland em Qui Nov 23, 2017 10:17 pm

Correu desesperadamente, o som dos calçados ecoavam pelo chão rochoso a cada passo, ofegando mais do que devia e com os batimentos cardíacos que poderiam ser escutados a distância, suando e com medo, se agarrou na maçaneta da porta com força que sua palma ficara vermelha, a porta bateu com força na parede como em um dia ventoso, e gritou.

- S-Senhor! São muitos, vindo pelo oeste! (conselheiro)

Sem direcionar a palavra para responder, o rei daquele reino virou as costas para o homem e atravessou aquela porta, mas fora interrompido pelo outro.

-Por favor, me escute! Em números eles nos vencem, devemos pegá-los de surpresa, nos organizarmos, do contrario… (conselheiro)

- Eu não preciso de estratégias ou conselheiros, eu confio nos meus homens. (Adam A.)

Aquele homem o viu pela última vez, quando saiu por aquela porta, o manto de urso que tanto se orgulhava caiu de seus ombros, o arrancou, com calor.

Foi como acordar de um longo sono, foi isso um sonho? Cansado e ofegante, era como se o peso do mundo inteiro estivesse caindo sobre seu corpo. A boca cheia de terra, tudo que os olhos de Adam Aesland assustados e ardendo enxergavam era a escuridão, mal conseguia se mexer e por mais que tentasse parecia piorar, tentou se mexer, cavar com as pontas dos dedos, sem entender o que estava acontecendo, cavou, por horas. Quase já não sentia os dedos, que começaram a sangrar, todo o seu corpo, parecia que seu fluxo sanguíneo estava bombeando tão rápido que a força era quase sobre-humana, e, pela mesma razão, o sangue esquentava e queimava as proteínas do corpo mais rapidamente.

Foram anos, muitos e muitos anos de completa escuridão, ele não se lembrara de nada nem mesmo de seus sonhos, lembrava pouco da sua morte, flashes das batalhas e dos confrontos, ah sim… Havia uma coisa que lembrara bem, do sangue, o sangue jorrando para todos os lados, sorrindo como um maníaco em campo de batalha, a sua crença mais forte, tudo começa do sangue, tudo se desenvolve a partir dele, e tudo acaba nele. Havia herdado não só o reino de seu pai, mas também seus antigos inimigos, Adam travou muitas batalhas e venceu todas elas, em nome de seu pai, em nome do sangue que corria em suas veias, por mais que visse todos seus companheiros um após o outro caindo. Eram esses os flashes que vinham em sua mente.

Depois de cavar tanto, parecendo que vinha do inferno, imundo, sua mão direita conseguiu furar a terra de baixo para cima, finalmente alcançando a superfície, sua mão sangrando respirava o ar fresco, e como em uma cena de filme de terror, era como um zumbi saindo de seu túmulo, mas sem túmulo, seus antigos adversários não se deram o trabalho de enterrá-lo decentemente. Mesmo depois de todo esse tempo, ainda era um jovem, suas roupas viraram trapos, rasgados que cobriam apenas as partes mais comprometedoras, mas nada chamaria mais atenção do que aqueles cabelos loiros e cumpridos ate a cintura.


-Por que estou aqui? Que lugar é esse?


Se perguntava a razão de estar vivo, seria um perdão dos Deuses? Uma segunda chance? Foi quando se questionou que a sua cabeça doeu com força, parecia que instruções estavam sendo colocadas na sua mente naquele momento, e, do nada, saberia fazer coisas das quais nunca treinou para saber. A dor só aumentava e em seguida um barulho infernal como um apito de uma chaleira fervendo começava a ecoar dentro da sua cabeça, os cabelos foram aos poucos tingindo uma cor diferente, a cor mais escura, seu corpo inteiro estava transpirando e não era suor, mas sangue, que escorria pelo corpo inteiro e o lavava. Quando o sangue secava a sua casca caia como as folhas das árvores no outono. Depois de dar uma boa olhada ao redor, apesar de vegetações diferentes, era próximo do local de sua morte, que agora um campo provavelmente usado para relaxar pelos cidadãos da cidade. Havia um lago próximo, foi ate onde seguiu o caminho. Mesmo lento e mancando o jovem chegou ao lago, se ajoelhou e dele bebeu sedento como um cão de rua, bebeu bastante, mais do que devia, sem se preocupar com as condições da água.

Limpou o rosto molhado com trapos e esfregou a manga inexistente em seu rosto tirando todo o excesso de sua água, respirou fundo, bem fundo, era tão bom respirar bem depois de tanto tempo, se lembrara de sua morte, ou melhor, se lembrara do dia inteiro, da batalha que o levou para aquela cova, “por que estou vivo?” Continuou se questionando e quase não tinha nenhuma resposta, mas imagens na sua cabeça, vozes, lhe mostravam um lugar, assim como desejos, quem diria que agora um rei teria de ocupar o papel de peão e seguir as instruções.


- Eu não quero participar desse “jogo” estúpido!

Disse apontando a cabeça para o céu negro e sem nuvens, e, de alguma forma, pareceu que o céu o encarou de volta, como um ato divino e intimidador, mas olhou de volta para a água, vendo o reflexo de um homem que quase já não reconhecia, o rosto de um homem que vai fugir de uma batalha, não, não era essa a imagem que queria ter de si mesmo. Sangrando, umas das gotas de sangue caiu e se espalhou na margem da água, era como um câncer se espalhando naquele lago, e, pela primeira vez depois de muito tempo, Adam sorriu, sorriu por estar vivo.

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Re: Age of Agression

Mensagem por The Entity em Dom Nov 26, 2017 1:09 am

Já houve um tempo em que a Terra foi um lugar onde somente o escuro era visto, dela, criaturas horríveis saiam das entranhas do mundo, espalhando seu miasma e transformando tudo em caos e pó. Diversos deuses tentaram resolver os problemas que uma vasta escuridão trouxera, mas somente a luz, aquela fagulha de esperança poderia enviar novamente às trevas ao seu devido local. Lembrar disso arrancou um sorriso célebre da jovem mulher de aparência oriental, cujo a katana que se guardava no lado esquerdo de seu corpo, vibrava quente, como se tivesse vida.

O mesmo calor aquecia seu corpo inteiro dispersando um pouco as nuvens negras que se amontoavam no céu, pesadas de uma provável chuva que hesitava em cair. Ela sabia que era um presságio de algo maior, não somente água, mas um dilúvio de acontecimentos que aquela Terra, doce terra escura, iria enfrentar mais uma vez, aliás, não era todo o dia que ela presenciava cadáveres se reerguendo fora do Jigoku.

Ele era escuro, aquele homem, cavava com instinto de um animal e se regozijava do sangue de forma selvagem, mas havia uma certa realeza em si. Mesmo sujo de terra, se erguia e questionava querendo resposta de um jeito autoritário negando ordens dadas,de certa forma ele a lembrava uma pessoa próxima, tão impetuosa e livre quanto o tal.

Os trovões ribombavam no céu, e ela entendeu que seu irmão estava mais ligado a seu pensamento do que pensara. Entre as nuvens, a luz do mundo questionou o conselho de seu mais velho.

_Está certo disso, meu irmão?


Dessa vez, ela sentiu estática nos cabelos, e trovejos como se rissem da sua indecisão de tomar uma atitude. Entendeu, ele estava certo, uma pessoa tão escura a solta nessa guerra, não haveria mais nada a iluminar o caminho daquele pobre ser, sua peste se espalharia mais do que por aquelas águas, e ele se afogaria na própria dúvida e derrota.

_Aceito seu desafio.

Aquele homem lá embaixo estava certo, o céu realmente o encarava, ela o encarava com o ardor dos olhos vívidos e castanhos como brasa, e com a ajuda do trovão ela foi de encontro a terra.

Um raio caiu nas águas, provavelmente assustaria a vida recém dada dele, mas a pura energia não o mataria, sequer o iria ferir. Dentro do lago, se erguia a figura de uma mulher oriental, com uma armadura pesada estilo antigo Samurai. Reluzia como se a luz a acompanhasse, os cabelos escuros um pouco acastanhados como se estivessem queimados do sol, e o olhar penetrante e astuto que parecia ler bem os passos de seus inimigos.

Caminhava movendo as águas em curto, deixando-as mornas apenas com sua presença, e como se fosse mágica o sangue dele que havia ali se afastava, dando espaço para que ela passasse e ficasse fronte a aquele que seria a pessoa mais importante para si nessa longa e obscura batalha. Encarou-o de cima, avaliando sua postura, fixando o olhar nele como se estivesse medindo sua capacidade, o céu que estava cinzento e chuvoso a poucos minutos atrás estava com um espaço entre as nuvens, por onde ela passava.

Uma gloriosa rajada solar iluminou aquela terra, e o rosto alheio pela primeira vez em muito tempo.

_Ouvi seu chamado.

Falou em tom forte, firme entre um misto de doçura com aquele ar soberbo que cerca os mais nobres. Apoiou a mão feminina na espada, e se inclinou cordialmente e uma reverência oriental para então voltar a encara-lo por mais uma vez.

_ Estou aqui para iluminar a escuridão que o cerca, diga seu nome, e terá minha espada a seus serviços.

Mais trovão cantou no céu.

E o silêncio se fez presente, entre o diálogo silencioso de olhares entre a escuridão e a luz que o conduziria a vitória.





Última edição por The Entity em Qui Nov 30, 2017 12:05 am, editado 1 vez(es)
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Re: Age of Agression

Mensagem por Adam Aesland em Dom Nov 26, 2017 7:15 pm

Abria a palma da mão perto do corpo ao começar os primeiros pingos de chuva que tocavam a sua pele de uma forma gentil quando foi pego despercebido e ate mesmo desacreditado, os olhos de Adam espelharam aquele raio cair na água, um ato divino como se a ira dos Deuses se rebelasse contra aquele jovem, seria alguém mandado pelo céu para exterminá-lo? Não, aquela mulher... Teria a ver com aquelas instruções na sua cabeça? Ou era apenas uma voz imaginativa? Já estava cogitando o enlouquecimento.

- Então você é a para ser a minha escrava, não é?!

Independente se estaria vendo ilusões, luzes e ouvindo vozes, vendo ela caminhar nas margens daquele lago, então falaria com ela de qualquer jeito. O mundo reconheceria aquele jovem como um Rei ainda depois de tanto tempo que o enviara uma escrava? Estava além de qualquer experiência que já haveria passado, trabalhar ao lado de uma mulher, foi quando a ignorou por poucos segundos a olhar novamente para o céu e deixar as gotas de chuva clarearem o rosto e a sua mente, foi quando a olhou novamente, sim, era real, tudo era real, era como estar vivo novamente... Não poderia ser em vão, estaria ali por um motivo e aquela batalha Adam não fugiria ou temeria a morte, em nome de seu sangue, seus ancestrais.

- Você não precisa se curvar, eu não sou mais um Rei.

Disse com postura, não era como se não quisesse o título, mas que teria de conquistá-lo novamente. Aceitou o presente dos Deuses, e a aceitou como sua escrava e estaria pronto para formar seu exercito novamente quando tudo terminasse, reinaria mais uma vez. Deu passos lentos com os pés descalços se aproximando dela aos poucos, quando faltavam poucos centímetros para a distância se quebrar, e estava diante em pé em frente dela, a olhando nos olhos. A destra levantou e ficou entre os dois corpos, a ponta dos dedos começou a lacrimejar, e as lágrimas eram sangue.

- Eu, Adam Aesland, nomeio você … minha escrava.

Esperou por ela dizer seu nome para terminar a frase, que seria como um ritual antigo e comum para os Aesland, mas, principalmente para aquele jovem. O rosto daquela mulher virou um quadro, os dedos de Adam viraram pinceis e o sangue virou tinta, foi quando o dedo indicador tocou com a ponta do dedo na bochecha dela, fazendo um traço horizontal em ambos os lados tomando todo o cuidado para ficar com a mais simetria possível, fez dois riscos abstratos nos dois lados das bochechas dela, aquele era o símbolo e ritual que fazia com cada um de seus soldados, os dando um voto de segurança e de confiança, e que teria uma morte honrável.

- Não confunda minha educação com fraqueza, não é como se eu já gostasse de você.

E, por último, soprou forte no rosto dela para o sangue secar, ele não era permanente, apenas sua simbologia, ambos teriam muito de que fazer, e teriam de passar muito tempos juntos, seria impossível continuar de seu lado sem torná-la oficialmente sua escrava.

A menos de uma hora, não estava ligando para esse jogo idiota, mas agora, queria aquele título para si, queria de volta o seu reinado, ser Rei, e os pecados passados seriam perdoados com a vitória
.

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Re: Age of Agression

Mensagem por The Entity em Qui Nov 30, 2017 1:55 am



O olhar de loucura daquele que seria seu Rei a fez sorrir um tanto de canto, divertindo-se da maneira desnorteada que ele estava tentando assimilar tanta informação em tão pouco tempo. Havia graça nos mortais, ao menos ela via dessa forma, eles tinham presunções e tamanho desejo que a animavam, por vezes estar entre eles era muito mais gratificante do que caminhar entre os grandes de sua morada. Suspirou pesado com a denominação, aquilo era um tanto desagradável, mas mediante a situação não tinha o que fazer.

_ Se assim desejar, assim serei.

Parada ainda a frente dele, sua mão não saia de sua espada, mesmo parecendo visualmente relaxada, estava alerta e com todos os sentidos ligados no seus arredores. O olhar só desviou de seu amo para acompanhar o vislumbre do céu chuvoso que pingava sobre os dois, era uma chuva estranha, a água estava morna devido ao impacto dela descer a terra, era um tanto cálido e confortável a fez fechar os olhos por micro segundos pensando se aceitar a provocação de seu irmão, realmente teria sido uma boa escolha. Mas o que está feito está feito, teria de alcançar o limite de sua espada se quisesse realmente vencer essa disputa divina, e não haveria nada que ela não pudesse cortar. Fatiaria em muitos pedaços quem se metesse em seu caminho.

O rosto desceu novamente para ele vendo-o estender as mãos, seu semblante oscilou quebrando a total seriedade, quebrando o ciclo violento de pensamentos anteriores. Quentes, os dedos ensanguentados dele encostaram em sua face de leve rubor queimado pelo sol, a marca rubra percorria um caminho muito maior do que a pele que ele tocava, a sensação sanguinolenta escorria para dentro de seu corpo, contaminando-a com sua angústia, seus anseios e todas as suas ambições. O que era um rei sem coroa se não nada? A dúvida de um reinado sufocava Adam tanto quando o fato dela estar certa ou não de se prostrar a servi-lo, mas nesse momento, sendo feita como igual, fechou novamente os olhos, não haveria céu para onde voltar, agora seus destinos estavam ligados pelo sangue, e pela alma.

_ Me chame de Entity, meu amo.

Encontram-se os olhares mais uma vez, a pintura de guerra vermelha combinava com seu rosto jovial, tornando-o mais impetuoso, astuto, digno de um guerreiro que devia estar ao lado direito de seu rei.

_ Não precisa gostar de mim – falou sentindo o sangue secar em sua face, escorrendo um pouco em seus excessos ao que ele soprava – O que precisa é confiar na minha espada, eu sou um soldado, não me trate como uma mulher comum, meu amo.

A chuva que se abrandara deixou espaço para apenas algumas correntes estáticas de trovoadas em meio as nuvens, chamou-o para poder seguir o caminho, indicando a passagem com as mãos sinalizando-o que o escoltaria.

_ Dê suas ordens, e eu o farei.

“Uma alma sem respeito é uma morada em ruínas. Deve ser demolida para construir uma nova”

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Re: Age of Agression

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