No Rest For The Wicked

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No Rest For The Wicked

Mensagem por Tannhauser em Sab Nov 25, 2017 1:27 pm

O melhor para começar o dia com esse clima é fazer isso ao som de música soul, então coloco meus fones de ouvido e aperto o “play” do meu celular.


Sai do apartamento apenas para o mercadinho próximo. Existe um mercadinho ainda mais perto, mas prefiro comprar neste, apenas porque a atendente é uma gracinha. Sou mais tímido do que pareço e então demorou para eu finalmente decidir que hoje era um bom momento para dizer um “oi”... Mas então eu desisto, pois acabo de perceber que já era tarde demais, ela já era noiva de outro homem. Sei disso porque reparei no anel brilhante que ela usava no dedo, aquilo não estava lá ontem.

- Fick... – Só me restava expressar discretamente essa pequena grosseria e então comprar a garrafinha de água e a bobina de fita adesiva que foram os pretextos que usei para vir aqui. Agora tenho que voltar para o apartamento onde um amigo meu me aguarda.

Hoje parece dia de folga no meio da semana em pleno verão. As circunstancias são bizarras, mas eu estou de bom humor, na verdade eu estou em serviço. Eu explico mais pra frente.

- Voltei. – Anunciei ao entrar no apartamento já tirando os fones de meus ouvidos, mas não tive resposta porque o único morador presente está amordaçado e preso na cadeira da cozinha. Eu o encontrei caído no chão. Foi ele mesmo quem se jogou assim de propósito para tentar se soltar, isso não ia dar certo, só funciona nos filmes, mas ele continuava tentando... essa foi a quarta vez.

- Ahhf... – Após esse breve suspiro me dei ao trabalho de levantar ele de novo. Isso é muito impertinente porque esse homem é muito grande e robusto, quase o dobro do meu peso.  – Chega disso, acabou.

Então abro a garrafinha de água enquanto ando até a pia e lá mesmo e dispenso todo o conteúdo da garrafa no ralo... Eu só preciso da garrafa mesmo.

- Hmm! Hmm! – Ele murmurava com a mordaça que fiz para cobrir sua boca.

Não tinha nada que ele pudesse dizer para me convencer a desistir do serviço, mesmo assim eu lhe dei a chance de dizer ao puxar a mordaça de sua boca.

- Cahff! – Ele tossiu seco, a mordaça de pano deve ter drenado os fluidos de sua boca, mesmo assim ele pôde dizer. – Porra, Tann... Nós estamos juntos nessa desde sempre, não estamos!? São eles que te compram, mas eu pensei que nós fossemos amigos.

- É claro que somos... – Respondi enquanto tirava a minha pistola Walther P99 de meu casaco cargo, metendo o cano da arma no bucal da garrafa de plástico prendendo-as juntas dessa forma com a fita adesiva que tinha acabado de comprar junto com a arma. – Mas vamos ser francos... você andou forçando muito a mão do destino.

Não fiz mais cerimônia, apenas apontei a pistola para a cabeça dele e apertei o gatilho. – BAM! – Esse foi o som abafado do disparo da arma, ainda alto, afinal um silenciador improvisado assim não faz milagres, mas é suficiente para fazer as pessoas de fora duvidarem que isso foi o barulho de um tiro.

A propósito, esse homem que acabei de matar se chama Helrick e nós éramos realmente amigos, mas ele não prestava, verdade mesmo. Então não posso ser considerado um cara mau por matar ele. Helrick fez muito na vida pra não merecer qualquer remorso, de fato, esse mundo seria muito justo se pessoas como ele pudessem ser mortas mais do que apenas um vez.

Ah, eu ainda não expliquei o que eu faço.

Eu gosto do termo mercenário ou pistoleiro, mas pode chamar do que preferir associar, mas eu levo mesmo uma vida bastante honesta. Há muita gente por aí contratando pessoas para intimidar e espancar algum caloteiro até ele cair inconsciente – e, ocasionalmente, para eliminar rivais e até colegas de profissão, como eu fiz com o Helrick ali.

Parece um trabalho interessante, mas não, é muito chato e perigoso – Helrick está ali com um furo na cabeça para confirmar isso. E eu nunca vou ficar rico assim... É apenas o tipo de serviço que você só faz quando você não é capaz de fazer nenhuma outra coisa pra ganhar a vida.

E o meu trabalho aqui só terminar depois que eu chamar um “faxineiro”, o cara que vai se livrar dos corpos, apagar as evidências e manter longe perspectiva de terminar minha vida numa cadeira elétrica, isso ao custo de grande parte do meu pagamento, então são esses caras que fazem dinheiro fácil sem nenhuma chatice ou risco de vida.

- Ahm... - Sinto enjoo agora e uma queimação no braço direito. Logo de imediato meu celular toca e eu atendo.

- Você sentiu não sentiu? – Perguntou a voz no telefone.

- Se eu senti? – Questionei ainda um pouco nauseado. – Sim, sim...tem que ser agora?

- Sim, tem. Chegou a hora, apenas siga as instruções.

- Algo mais? – Falei sem animo.

-  ... – Foram dois segundos de silêncio para ele refletir. - Seja bem vindo a família. Essa é a melhor recepção que posso oferecer.

- Vá pro inferno... – Isso saiu da minha boca depois que eu desliguei. Não queria mesmo ser ouvido, aquele homem é assustador, já o vi pessoalmente.

Não vou pensar nisso agora, tenho que preparar o ritual. Como eu não sou um mago, não posso contar com meu próprio “MP” pra fazer isso, por isso me indicaram a hora e o lugar onde a magia presente no ambiente formam as condições necessárias para que alguém como eu possa performar alguns truques.  Tudo tem que ser perfeito.

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